domingo, 24 de agosto de 2008

"La pelota no se mancha"


Diego ama o Boca Juniors e não perde um jogo do seu time de coração. Vai para as Olimpíadas não a pedido de dirigentes para apoiar campanhas, mas para torcer para sua seleção, por amor à Argentina. E não acompanha só o futebol, torce pelas "leonas" do hóquei sobre grama, vai ao ginásio apoiar os meninos do basquete. Assim é o maior ídolo do povo argentino. Ele sabe o que representa e, mesmo assim, não escolheu se esconder sob um título de homem irretocável ou de difícil acesso. O mito está logo ali nos camarotes ou nas cadeiras, gritando e xingando por aquilo que nunca escondeu ser a sua paixão, a Argentina. Um ídolo que nunca tentou disfarçar que, antes de tudo, é um ser humano. Já com a carreira encerrada, apareceu para o mundo dominado pelas drogas, obeso e longe da imagem do craque que conquistou o bi mundial para a seleção. E enquanto o mundo fazia piada tratando Diego como acabado e quase morto, os argentinos cercavam a porta da clínica onde estava internado rezando por sua recuperação.
Diego nunca ficou menos ídolo. Em seu país, continuou sendo reverenciado e tratado como o maior jogador de futebol da história. Para o povo argentino, futebol não se confunde com moral. Jogadores de futebol são aqueles que dão a vida em campo, não importa o que façam com ela fora dali.
A Argentina é bicampeã olímpica de futebol e Diego faz parte disso. Foi à China como torcedor, mas fez muito mais. Deu força aos jogadores, conversou com o técnico e ainda ajudou na preparação do goleiro Sergio Romero cobrando faltas no treinamento antes da final. Declarou à imprensa que estava lá por acreditar nessa nova geração da seleção e não aproveitou entrevistas para alfinetar derrotas e enaltecer a si próprio.
Entre Maradona e a Argentina a gratidão parece ser recíproca. Ela o defendeu e apoiou sempre que ele precisou. Ele nunca a abandonou e torce por ela em qualquer lugar.


“El fútbol es el deporte más lindo y sano que existe en el mundo. Eso no le quepa la menor duda a nadie. Porque se equivoque uno, no tiene que pagar el fútbol. Yo me equivoqué y pagué. Pero...la pelota no se mancha”


4 comentários:

Anônimo disse...

Eu confundo moral com desempenho atlético.
Acredito e prefiro jogadores , atletas , técnicos e profissionais que não façam o uso de drogas.
Um jogador como ele, ter sido usuário drogas é lamentável , visto que ele não esteve só prejudicando sua família , seu corpo e sua saúde mental. Ele financiou crimes e assassinatos, através do consumo de drogas.
Ele não é exemplo pra ninguém e ir assistir os jogos da sua seleção , torcer , vibrar ... quem se tivesse muito dinheiro e mais nada do que fazer pela vida não faria ?
Mas admiro as pessoas que dão a volta por cima na vida , espero que ele tenha dado.

Paola Senra disse...

Pelé é seu ídolo?

Anônimo disse...

pelé ?

pelé não diz nada pra mim.

Meu ídolo é o Senna . Nunca foi santo , mas também não era encapetado.

hahahahahahahahhahahahahaa

Fred Gaspar disse...

Pelé não é nosso ídolo. Mas pergunte aos nossos pais, o que o Pelé é pra eles. O Santos jogava no Maracanã! 160 mil pessoas torcendo pelo Pelé. Como diz um tio meu: "Pra falar as quatro letras tem que ter licensa".
É óbvio que o Maradona é muito mais ídolo na Argentina do que o Pelé é no Brasil hoje, por esses motivos que foram citados. E digo mais, o Pelé sempre dá declarações inoportunas. Como Romário, sabiamente disse: "O Pelé calado é um poeta. Tem que botar um sapato na boca dele".
Meu ídolo maior, no futebol é o Edmundo, que obviamente está longe de ser um exemplo de profissional. Ídolos pra mim não tem que ser só exemplo como muitos pregam. Romário se fosse um ATLETA, desses que ficam treinando falta 2 horas depois do treino, estaria no mesmo nível do Pelé na história. Ao ser perguntado sobre isso, ele concordou, porém disse que não seria feliz como é hoje. É claro que o Maradona podia não ser um drogado, seria melhor que fosse apenas brigão e tal. Mas a história dele com a Argentina tem alguns detalhes fundamentais. Fazer um gol de mão e outro gol antológico contra a Inglaterra, numa quartas-de-final de Copa do Mundo (me corrijam se eu estiver errado), depois da guerra das Malvinas tornaria até o mais fraco jogador argentino um herói.
Pelé dentro de campo é insuperável. Pode até aparecer alguém que jogue mais, só que os números nunca vão deixar que isso seja comprovado. Fora de campo ele é um nada, só abre a boca pra falar merda.
Maradona em campo foi o segundo melhor. Porém manchou a carreira com doping e após encerrar a carreira seguiu manchando seu nome. Mas não se omite. Sabe a importância que tem para a Argentina e não foge da raia.
Acho que num balanço geral, eu preferiria ter o Pelé mesmo. Pena que não podemos mesclar os dois.